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1.10.11

Paraty em Foco 11'

No dia 1° de julho deste ano estava aqui beirando o ócio, navegando nesta mesma rede, e resolvi conferir as atualizações do coletivo Garapa, e assim pode-se dizer que tudo mudou. O último post do coletivo era sobre sua participação no Paraty em Foco - 7° Festival Internacional de Fotografia que acontece em Parati/RJ. Claro que fui lá fuçar todos os menus e submenus do site do Paraty em Foco e fiquei encantada com a possibilidade de estar presente no Festival, ver todas as fotos, conversar e sociabilizar o prazer compartilhado. O Paraty em Foco oferece a oportunidade, a interessados do Brasil e do mundo inteiro, de trabalhar com a equipe do Festival na produção e organização dos workshops, encontros, entrevistas, projeções, lançamentos, exposições, da extensa programação enfim, através do Programa de Estágio, e as inscrições eram até o dia 30 de junho, um dia antes da minha visita! Poxa!

Mandei o email mesmo assim, e tive o retorno no dia seguinte de que a minha inscrição havia sido realizada com sucesso, massa! Agora era esperar a data da entrevista via Skype... e de repente, não mais que de repente, me vem o cheiro forte de mata verde, uma paisagem gigante! A estrada do litoral do Rio é incrível! Mal conseguia fechar os olhos para tirar aquele cochilo da viagem de ônibus, era uma pecado perder uma folhinha sequer daquelas fotografias passando, passando. Parati é uma cidade aconchegante, azul, apesar do tempo nublado, me lembra um abraço apertado no frio-outono.

Sunsets Portraits de Penelope Umbrico, Paraty em Foco 11'

Por coincidência, ou não, fiquei com a monitoria do workshop do Gui Mohallem e do Garapa, e foi chegando e o trabalho já começando. No tour que fomos fazer com a Talita Virginia (a produtora mais doce que eu já conheci), para conhecer os ambientes do Festival, encontramos o Gui e já fui acompanhá-lo na preparação da sala que aconteceria seu workshop. Ele precisava de total ausência de luz, depois vim entender sua exigência. O Gui é um cara genial, fiquei impressionada com a sua sensibilidade! Três projetores Fresnel iluminaria a sala com três cores diferentes de gelatina. Na primeira conversa do workshop o fotógrafo ler Mário de Andrade, um texto suave como uma pluma sobre o eterno encontro com a infância. Depois os participantes escolheram uma luz, entre verde, vermelho e azul, para criar uma imagem que lhe recordasse a infância entre pincéis, giz de cera e crepons. A partir daí entramos num ambiente lúdico de experimentações, a luz como protagonista se coloria na parede enquanto o Gui falava sobre cores primatas, desconstruindo paradigmas. Sentados ao chão o grupo conversava intimamente sobre suas experiências, sobre a fotografia, sobre temas variados envoltos deste mundo. Foi uma delícia!


O workshop do Gui só durou um dia, uma pena! O Garapa dividiu o workshop em três dias, o que fez com que o grupo interagisse com mais proximidade. No primeiro encontro apenas falamos da trilha do dia seguinte, o Caminho do Ouro - uma experiência multimídia na Serra do Mar! A Adriana Camilo, uma das participantes do workshop, fez uma observação bastante relevante sobre o caminhar em Parati. Como seria a locomoção de um portador de deficiência física nas ruas históricas, ainda preservando a construção feita por escravos no séc. XIX, com pedras em desalinho?! Por partilhar deste questionamento o grupo resolveu que parte do Caminho do Ouro seria feito e narrado por alguém vendado, e foi fácil encontrar voluntários. O caminho, colorido de amoras, construído por escravos entre o séc. XVIII e XIX para a extração de ouro, foi todo apresentado pelo nosso guia Armando, que nos apresentou também o guia-morador Seu Américo, duas áureas de passarinho que nos acompanhou todo o trajeto. Ao final, comemos pastéis à beira da estrada para repor as energias de quase 4km de caminhada, e bem ao lado fomos visitar o Alambique Engenho D'Ouro, uma cachaçaria artesanal. 


O choque térmico da água com no máximo 0°c de temperatura não reprimiu a caída na cachoeira no final da tarde, para brindar o dia, para brindar a vida! No terceiro dia do workshop, o grupo silenciou para editar todas as imagens captadas pelos 18 fotógrafos participantes, não só de fotos, mas também vídeo, áudio e GPS. O resultado você pode conferir no endereço: http://caminhodoouro.tumblr.com/

Eis a foto oficial da equipe do Caminho do Ouro, todos nós ficamos um.


Esses foram dias de crescimento sobretudo, profissional e pessoal. Esse texto está ficando maior do eu esperava, mas quero deixar registrado o quão feliz eu fui de ter encontrado tanta gente bacana, profissionais serenos, pessoas. A fotografia guarda um tanto do que vivi, mas gostaria de cravar em mim todas as sensações de Parati, não me perdoarei se a memória falhar, quero que se prolongue pelo resto do ano e inspire novas experiências. Sem esquecer da equipe maravilhosa que tive o prazer de trabalhar, sem esquecer o frio que pedia abraços ternos, sem esquecer o sol do último dia que mostrou o quão singular é aquela cidade, sem esquecer todas as cores-flores-pessoas que coloriram o meu caminho.

Equipe do Programa de Estágio do Paraty em Foco 11'
- foram 70 inscrições -


"... ela amaria eternamente o não-fotografado porque era um devir."

3 comentários:

  1. ah que legal!
    Uma experiência e tanta participar disso.
    Quem sabe ano que vem não me inscrevo pro estagio tambem, bacana!

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  2. Participar de tudo com vc foi ótimo !!!!!!

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  3. oi Kamyla, legal ler o relato da sua experiência no PEF. Foi a primeira vez que eu fui (e sozinha!) e pra mim foi uma puta experiência também! Com certeza ano que vem vou me inscrever nesse programa de bolsas, se não tiver limite de idade. Beijos!

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